Alternar esportes evita a fadiga física e mental que leva ao overtraining

Luciana Zauhy Garms

Cansaço, irritação, alteração do sono, perda de peso e de apetite. Acredite se quiser, o excesso de treino, chamado de síndrome de overtraining ou supertreinamento, provoca tudo isso. E não é fácil de descobrir! Muitos só chegam a esse diagnóstico quando o corpo, já bastante vulnerável, começa a apresentar lesões no joelho, na coluna, no quadril e por aí vai.

Essa relação entre alterações psicológicas na pessoa com a síndrome do overtrainning não é fácil e óbvia. Não é tão rápida de se descobrir! Atribui-se o cansaço, irritabilidade, distúrbios do sono, perda de peso e perda de apetite a outras doenças, menos ao supertreinamento.

No grupo de corrida, por exemplo,  pode haver indivíduos acostumados com uma carga alta de treino. Saiba que nem todos os organismos são iguais. A resposta do organismo à carga de exercícios é muito individual! Na prática, vemos um ou outro atleta amador se sentindo “forçado” a se encaixar dentro do ritmo do grupo, ultrapassando os limites do organismo dele!

Esse é um passo para a síndrome do supertreinamento! A pessoa ultrapassa o limite do próprio organismo, entra em overtrainning, com a sobrecarga de treino, e em uma grande pressão psicológica pela vontade de se enquadrar no grupo.

E os sinais e sintomas iniciais podem ser irritabilidade, alteração de humor, alteração de sono e apetite. Não é fácil relacionar esses sintomas com o excesso de carga e pressão nos treinos. O que se costuma estar relacionado com a síndrome do overtrainning, para a maioria dos atletas amadores e mesmo treinadores, são as lesões que aparecem tardiamente. As lesões podem ocorrer em qualquer local, perna ou coluna, por exemplo, em função do estresse e fraturas por fadiga.

Indiretamente, a osteoporose e a osteopenia também pode estar relacionada à síndrome do overtraining. Em um primeiro momento, há a alteração do sono e do apetite. Isso leva a deficiência nutricional e hormonal que interfere no metabolismo do cálcio e, consequentemente, depois, leva aos quadros de osteoporose ou osteopenia e às fraturas por estresse.

É interessante os corredores alternarem os treinos de intensidade com treinos de rodagem, dentro da corrida. O atleta amador pode correr todos os dias, desde que ele alterne os treinos de intervalos maiores com os treinos de intensidade. Os longões apenas uma vez por semana. Se o atleta for colocado no limite todos os dias, ele vai “quebrar”, podendo sentir os sintomas iniciais da síndrome do overtraining.

Pessoas que se sentem sobrecarregadas, prestes a entrar na síndrome do overtraining, podem tentar “dar um pausa” no esporte principal e mudar temporariamente para outro esporte. E, mais tarde, retornar tranquilamente aos treinos anteriores. Essas mudanças são temporárias, com risco de se tornar permanente, se o atleta amador gostar muito da outra modalidade.

Essa estratégia de alternar esportes evita a fadiga física e mental. Ao associar uma outra modalidade esportiva à modalidade alvo, o atleta amador consegue trabalhar outras habilidades e grupos musculares. Isso vai ajudá-lo a melhorar a performance no esporte preferido. Não é para interromper a corrida e passar somente a pedalar! Não é isso. Mas, unir as duas modalidades pode ser mais interessante!

O esporte, acima de tudo, deve ter como prioridade a saúde do atleta. Quem gosta de treinar diariamente tem de ter consciência que o descanso é essencial, associado a uma readequação de treinamento com um profissional da área, programação de competições, dieta e sempre ouvir os sinais do próprio corpo! Sem esquecer da avaliação médica com exames periódicos.

Luciana Zauhy Garms

Luciana Zauhy Garms - médica ortopedista, especializada em Traumatologia Esportiva e Medicina Esportiva. Mais informações: http://www.lumedicinaesportiva.com.br

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