Vale a pena largar como um “cavalo paraguaio” na prova de rua?

Adriano Bastos

Me canso de dizer que não adianta largar como louco na prova de rua e correr desesperadamente, lá na frente, os primeiros metros. Depois, no segundo quilômetro ou até mesmo antes de completar o primeiro quilômetro, o corredor já está morrendo, se arrastando para completar o restante da prova.

Muitos não entendem que, ao fazerem isso, acabam com todas as reservas musculares logo no primeiro quilômetro. Continuam se achando super homens ou mulheres maravilhas das largadas e dando cabeçada nesta parte tão importante da prova, onde é preciso ter cautela e consciência de ritmo para não estragar todo restante da prova.

Reparem a quantidade de gente que larga como doido na minha frente! Até uma menina que não deve ter chegado nem entre as 10 primeiras no feminino. Ela estava na frente e eu vindo bem atrás, acompanhado pelo campeão e o terceiro colocado geral da prova. Ou seja, os três primeiros colocados da prova não estavam nem entre os 20 primeiros colocados nos 500 metros iniciais da prova. Nesse mesmo dia, nós três fechamos a prova em 16 minutos.

Analisando os tempos finais daqueles que passaram como doidos os primeiros 500 metros ou o primeiro quilômetro na nossa frente, quase todos completaram a prova acima de 20 minutos, sendo que muitos, além de tudo, não devem nem ter realizado um aquecimento para poder largar naquele ritmo.

Largar com cautela é algo fundamental para conseguir um bom desempenho e o tão almejado recorde pessoal. Da mesma forma, um aquecimento trotando por 15 minutos, quando estiver faltando 20 minutos para a largada também é de extrema importância para preparar o organismo e a musculatura para o esforço maior que virá na sequência.

Se não aquecer e já quiser largar no ritmo de prova, vai entortar logo no segundo quilômetro, pois o corpo não estará preparado para já largar em tal intensidade. Com isso, tentará se ajustar, repentinamente, a situação e esgotará, logo no primeiro quilômetro, todas as reservas musculares que deveriam ser administradas durante toda a prova.

Enquanto eu aquecia e preparava meu corpo para o esforço antes de largar, já tinha um monte de corredores parados, posicionados com o peito na faixa, guardando lugar para largarem a toda com o corpo completamente frio.

Então, em sua próxima prova, pense um pouquinho melhor nesta questão do aquecimento e do ritmo cauteloso que largará que, com certeza, o resultado será muito mais positivo.

Esse é o grande erro que os corredores cometem. Não acreditam que são capazes de segurar um ritmo mais cadenciado a prova toda. Acham que podem compensar isso correndo o primeiro quilômetro forte demais. A perda por quilômetro, no decorrer da prova, depois que o atleta “quebra”, é muito maior do que tudo que se ganhou no primeiro quilômetro.

E, atenção, alongamento não é aquecimento. Alongamento antes de prova não serve pra nada, é perda de tempo. Aquecimento é trote em ritmo leve. Mas deixo claro que o alongamento é perda de tempo antes do exercício. Somente depois de correr, o alongamento é muito importante para relaxar a musculatura e ganhar mais elasticidade nas fibras musculares, além não deixar a musculatura travada ou com o risco de formação de nódulos.

 

Adriano Bastos

Adriano Bastos - maratonista profissional e treinador. Sócio-proprietário da assessoria esportiva "Adriano Bastos Treinamento Esportivo"

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