Termogênicos com efedrina tem risco de AVC e até morte súbita

Adriana Aguilar

São necessárias medidas mais enérgicas para evitar o mercado negro e uso de substâncias  consideradas prejudiciais à saúde, mas que ainda são livremente consumidas em termogênicos, difundidos nas academias, como a efedrina, explica o médico Bruno Halpern,  endocrinologista da Clínica Halpern.

De acordo com um estudo do New England Journal of Medicine – mencionado por Bruno Halpern em seu facebook -, a proibição da efedrina nos Estados Unidos (EUA) impactou positivamente na redução de efeitos colaterais graves dessa medicação.

Segundo o estudo, antes da proibição nos Estados Unidos, o país chegou a registrar até 10.326 casos por ano de efeitos colaterais causados pela efedrina em 2002. Após a proibição das vendas dos produtos com essa substância em 2004, o número de casos caiu para apenas 180 ao ano,  em 2013.  Não houve registro de morte em decorrência do uso da efedrina desde 2008. “Esse estudo mostra como a regulação pode de fato ter um impacto importante em saúde pública”, explica Halpern.

É importante ressaltar que a efedrina pode fazer parte da composição de alguns termogênicos, com o objetivo de acelerar o metabolismo e “queimar mais gordura”. A substância, essencialmente, acelera o ritmo cardíaco, induzindo assim um metabolismo mais rápido. O corpo acaba queimando energia com uma velocidade muito maior. Com isso, há perda de peso.

O uso dos termogênicos é muito difundido nas academias, sem as pessoas prestarem atenção na composição deles.  O fato é que a efedrina pode trazer mais complicações ao organismo, além de simplesmente a perda de apetite e insônia.

O estudo do New England Journal of Medicine ainda explica que a efedrina pode ter um efeito substancial sobre  o sistema nervoso central e cardiovascular. Pesquisas mostraram a associação entre uso de efedrina e hipertensão, arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, convulsão, acidente vascular cerebral, e morte súbita.

Diante desses riscos à saúde, a agência dos Estados Unidos “Food and Drug Administration (FDA)” proibiu a venda de produtos que contêm a efedrina em abril de 2004, em resposta às crescentes provas científicas e ao recebimento de mais de 18 mil relatórios de eventos adversos relacionados à substância. O Tribunal de Apelações dos Estados Unidos (U.S Court of Appeals) confirmou a proibição em 2006, e as vendas de efedrina permanecem ilegais até hoje nos Estados Unidos.

http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMc1502505

 

Adriana Aguilar

Adriana Aguilar - jornalista e integrante da equipe do blog VIDA QUE CORRE

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