O “vai Luana” me fez completar a prova

Lu Martinez
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Retirada do Kit

Depois de 20 anos, resolvi voltar a praticar triathlon, esporte que une natação, ciclismo e corrida, nesta ordem.

A decisão veio durante os treinos para a minha primeira meia maratona (21km), que aconteceu em outubro de 2015. À partir daí, focamos (RS Assessoria) em treinos dirigidos, principalmente musculação, pedal e natação.

Ontem, domingo, 13 de dezembro de 2015, foi minha primeira prova no Troféu Brasil de Triathlon, etapa final (ocorrem 6 etapas durante o ano), que aconteceu na cidade de Santos, SP.

A prova tem classificação dos atletas por categorias: idade, sexo (feminino e masculino), distâncias (olímpico ou short) e se profissional, amador ou revezamento.  Minha inscrição foi: feminino, 40-44 anos e “short” (750m natação + 20km ciclismo + 5km corrida).

Cheguei muito animada para esse dia, não era para menos, meus filhos e marido estavam, pela primeira vez, me acompanhando à uma prova. Além disso, meu treinador e triatleta Rodrigo Silva, da RS Assessoria, também estava na competição, o que me deixou mais segura com toda orientação.

Uma semana antes, participei de um simulado na Estrada Velha de Santos, conseguindo medir meus tempos reais, que foram :  natação: 830m em 19’26”, pedal 20k em 47’57” e corrida 5k em 29’52, eles eram meu parâmetro para fazer a prova e chegar bem na linha de chegada.

Mas, aprendi, que por mais que estamos preparadas, há muitas variáveis que não dependem de nós.

Chegamos no local da prova 50 minutos antes da largada debaixo de uma garoa, que parava e voltava. A primeira coisa que foi feita, foi a marcação do número de inscrição no corpo: braço direito (número 602) e panturrilha direita (categoria AM). O chip, preso no tornozelo e cabelo, uma trança bem firme (mesmo assim meninas, o estado que ela fica no final é enlouquecedor para toda mulher !). Me dirigi para área de transição, onde deixei a bicicleta e todo material que iria precisar durante as trocas de modalidades : capacete, gel, água, tênis, etc.

E, hora de ir para a praia.

Na praia, todos os atletas já com toucas e óculos, todos preparados e ansiosos. O mar estava uma piscina. No dia anterior, sábado, havia chovido muito, e talvez por isso o mar estava calmo. Conferi as bóias vermelhas e entrei no mar para aquecer. Meus filhos sempre por perto e perguntando tudo. Começaram as largadas por categorias, e logo chegou a minha vez.

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Me posicionei bem na faixa, a primeira fileira para sair correndo, e, tocou a buzina. Corri, entrei na água, e comecei a nadar. A água estava fria, mas, como me aqueci no mar, o impacto não foi grande. Nadei o que havia treinado, e, saí da água em 17’55”, atrás da primeira atleta na minha categoria em 22 segundos (17’33”). Passei pelo corredor de torcedores, e lá estavam meus dois pequenos e só ouvi : “vai Luana” (apelido que eles me colocaram há anos), “você é a 33a”! Lindos de viver !

Corri até a bike, coloquei o tênis, o capacete, peguei os géis de carboidrato e meu stick de Mel MBee (energia rápida e saudável) e coloquei a camiseta com meu número de peito. Parti para os 20km.

A pista estava bem molhada e a advertência dos apoios era que tomássemos cuidado nas curvas, diminuindo bem a velocidade. Logo na primeira curva, uma atleta derrapou e caiu. Bem, pedalei firme até achar o meu ritmo: 28,8 km/h, uma velocidade para mim, acima do meu normal. O percurso de bike era de 10km, então, eu teria que rodar duas voltas.

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1a volta completada com o “vai Luana”

Primeira volta completada, e lá novamente estavam eles, grudados na grade de proteção, torcendo para mim. Essa memória fotográfica nunca irá sair da minha mente. E o “vai Luana” dos dois me deixou inexplicavelmente mais forte. Permaneci na 2a colocação até os 13km completos que foi quando, na penúltima curva fechada, a atleta na minha frente derrapa e se espatifa no chão, escorregando pela pista. Eu vinha bem atrás dela e não tive como desviar. Voei em cima dela. Na hora achei que tinha quebrado o braço direito, porque caí com todo meu peso em cima dele. Mas, me levantei rápido, tirei a bike de cima da dela, e tentei voltar a pedalar. Olhei para trás, e ela permaneceu deitada, imóvel e gritando de dor. Eu não sabia se voltava para ajudar, ou se voltava a pedalar. Um susto enorme. Decidi em montar na bicicleta e, mesmo machucada, acabar a prova.

Porém, a bike não saia do lugar. O guidão do lado direito havia amassado para dentro, a roda da frente totalmente torta e com uma vareta quebrada, mas, o pior ainda estava por vir, os breques dianteiros e traseiros travados ! Inexperiente, tentei abrí-los para não manter contato com a roda, mas, mesmo assim, não consegui muito resultado. Parti daquele jeito mesmo, e fui embora, nos míseros 16km/h, dando toda força que eu poderia fazer (e não poderia por causa dos 5k de corrida à seguir). Vi a 3a e a 4a colocadas me ultrapassarem, e nessa hora, o poder da nossa mente é o que nos faz desistir ou finalizar. Eu estava arrasada: bike destruída, machucada e sofrendo para fazer os 7 últimos quilometros. Mas, mais arrasada ainda, era saber que meus dois anjos estavam esperando me ver chegar bem. Neste momento, resgatei aquela memória fotográfica deles me acenando e gritando “vai Luana”, e não tive dúvidas, respirei fundo, dei um grito para sair toda a raiva, e decidi, vou terminar por eles!

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Cansada do pedal, fazendo a transição para corrida

Acabei o pedal com 58’12”, 11 minutos acima do que havia feito no simulado. Deixei a bike, coloquei a viseira, parti para a corrida. Na grade, eles, lindos, me perguntando porque eu havia demorado. Falei por cima o que havia acontecido, e eles responderam: “vai Luana, você consegue!”

Fiz os 5km querendo parar. Não aguentava de dor na minha coxa esquerda, voltei a desanimar. Não sabia se a dor era da queda ou se era da força que fiz no pedal. Tive medo de estar lesionada. No 2o quilometro, parei num posto de água, abri três copos, e joguei na minha cabeça. Vi a 5a colocada me passar. Ali parada, vendo todo mundo correndo, e ainda nervosa e não acreditando no que havia acontecido, voltei a caminhar, e depois a trotar, e depois a correr. Aquela água gelada me acordou, e o que eu mais queria aquela hora era ver o pórtico, passar por ele, e encontrar meus filhos.

Foi o que aconteceu!

Fiz os 5k muito acima do meu tempo (28′): 36’15”, ficando em 6o lugar na categoria com total de  1h52′ .

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Meu Tico indo ao meu encontro

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Eles felizes comigo

 

 

 

 

 

 

 

 

Se valeu? Valeu cada minuto! Valeu pela experiência, valeu por saber que eu posso, que por mais que acidentes aconteçam, não é para desistir. Valeu cada sorriso dos meus filhos, cada “vai Luana”, cada mãozinha que eles me estendiam para eu bater.

Foi o “vai Luana” que me fez completar a prova feliz !

 

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Lu Martinez

Lu Martinez - Marketing VIDA QUE CORRE

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