Mãe e triatleta, Rosecler arranja tempo para treinar e competir no Hawaii

Adriana Aguilar

Fortaleza_Rosecler_bike_textoConhecida por  ironMÃE nas provas de triatlhon,  a triatleta Rosecler Costa, com 37 anos, está realizando o sonho de treinar para a ironman no Hawaii, em Kailua-Kona, marcado para 10 de outubro. Depois de casar, ter dois filhos e ficar 10 anos sem praticar absolutamente nenhuma atividade física, Rosecler voltou ao triatlhon em 2012, fazendo provas curtas.  No ano passado,  sua primeira participação em um iroman, de  Fortaleza 2014, já rendeu a  primeira colocação entre as atletas amadoras, garantindo a vaga para Kona, no Hawaii.

Os dois filhos, Marcela, com 8 anos, e Rogério, com 6 anos, ergueram o troféu da mãe no Ironman Fortaleza 2014, chamando a atenção do público. Também no pódio do Ironman Florianópolis 2015, quando Rosecler ficou com o 3º lugar entre as atletas amadoras  e 1º lugar na sua categoria (34 a 39 anos), mais uma  vez, os filhos ergueram o troféu no pódio.  “Agora, as pessoas só me chamam de ironMÃE. Nem sabem o meu nome”, explica Rosecler.

A triatleta completou o Ironman Fortaleza 2014 em 10 horas e 17 minutos.  O Iroman Florianópolis 2015 foi encerrado com 9 horas e 48 minutos.    O ironman é uma modalidade de triathlon de longas distâncias para a natação (3,8 km), ciclismo (180 km) e corrida (42 km). Um percurso é seguido do outro, sem tempo para descanso. O participante tem até 17 horas para completar.

Tempo_RoseclerPara treinar, Rosecler levanta as 5 horas da manhã. Quando o treino é mais curto, a atleta ainda consegue levar as crianças na escola, às 8 horas.  Quando não dá, o pai é quem ajuda. Mais tarde, é a vez da avó materna pegar os netinhos na escola. Rosecler aproveita os intervalos do almoço e final da tarde, horários de entrada e saída das crianças da escola, para trabalhar com o ônibus escolar. Na parte da noite, bloqueia sua agenda para treinos. “Esse horário é reservado para eu ficar com as crianças, ajudá-las com a lição da escola, provas, passar meu tempo com elas”, explica.

“Cinco meses antes do Iroman Fortaleza 2014 eu já estava treinando forte.  Treinei muito porque o Hawaii era um sonho que estou realizando agora. Eu explico isso para os meu filhos: vocês querem o troféu? Então, a mamãe tem de treinar.  Eles entendem e, junto com o meu marido e minha mãe me ajudam muito. Sem o apoio e a compreensão deles, nada aconteceria. Tem de estar todo mundo engajado na mesma história. Se não sonharem comigo e não me apoiarem, o negócio não flui”, diz a ironMÃE.

Rosecler ressalta que o marido, Marcelo da Costa, não é atleta e não compete. É o fã dela número 1. “Quando saio de casa 6 horas da manhã para o treinamento técnico em São Paulo, só retorno às 20 horas da noite. Conto com o apoio e confiança do meu marido. Ele sempre me acompanha nas competições. O Hawaii é  meu sonho  e ele vai junto”, diz a trialtleta. Marcelo  administra a loja de ferragens e peças, chamada Casa Parafuso, na cidade de Santos, localizada no litoral sul de São Paulo. Todo o custo das inscrições e da viagem (passagens, hóteis e deslocamento para as provas) é pago do próprio orçamento da família, sem patrocínio.

O treino intenso da  atleta amadora de triathlon ocorre nos 7 dias da semana, sendo que um deles é reservado para  descanso ativo, quando Rosecler pratica natação e faz fisioterapia ou aproveita para consultas com o médico na área de esporte ou nutricionista. Nos outros seis dias, os treinos são mais fortes: 2 km de natação na piscina meses antes das provas, que depois se transformam em 3,5 km de braçadas na piscina. Como Rosecler mora na cidade de Santos, uma vez por semana ela consegue treinar a natação no mar, alguns meses antes da competição.

A planilha, feita pelo técnico Marcelo Ortiz, ainda inclui mais 4 treinos de bicicleta por semana, que  somam 300 quilômetros percorridos na rodovia Rio Santos. Na proximidade das provas, a distância percorrida é elevada para 500 km por semana. Até nos dias de ventania, Rosecler se propõe a puxar o treino de bicicleta do grupo que a acompanha nas pedaladas. “O meu forte é o pedal.  Consigo tirar vantagem das adversárias no ciclismo. No Ironman Fortaleza 2014, ganhei 15 minutos de vantagem da segunda colocada com a bike. E ela não conseguiu me alcançar depois na corrida”, conta Rosecler.

As corridas começam com volume baixo,  cinco dias da semana, 10 km ao dia. Ainda nessa fase, a natação é combinada com a corrida e alguma outra atividade ao longo do dia, tomando de 2 a 3 horas de treinos diários.   A dois meses da prova, são 100 km de corrida  por semana e alguma outra modalidade, tomando de 6 a 7 horas por dia de treinamento antes da prova de ironman.

Na agenda semanal da triatleta, ainda há o horário para o pilates, musculação, fisioterapia preventiva, consulta com o especialista em medicina esportiva, com o profissional de nutrição esportiva, e para massagens específicas para atletas.

Em função do desgaste com o treino esportivo, somado ao trabalho profissional, mais as tarefas com a família, sem qualquer parada para descanso ao longo do dia, a alimentação natural não é suficiente  para a reposição das necessidades do organismo da triatleta. Com orientação de especialistas, Rosecler toma complexos de vitaminas e sais minerais, suplemento de glutamina, BCAA, gel para  levar na corrida, carboidrato maltodextrina durante a natação e ciclismo.

Disciplina nos treinos, na suplementação e, claro, privação de muitas festas e eventos sociais com a família em nome das competições. Foi assim que Rosecler  garantiu a primeira colocação no Ironman Fortaleza 2014 e, depois, 3º lugar no  Iroman Florianopólis 2015.  Quando questionada sobre a prova preferida, sem vacilar, a triatleta diz preferir  Fortaleza.

“Eu adoro correr sob o sol do meio-dia, com mais de 30 graus. Pego a minha viseira, passo o protetor solar e vou embora. No meu corpo, tenho marca da bermuda, do top,  do óculos no rosto. Meu rendimento na temperatura de 10 graus não é o mesmo de quando eu corro a 30 graus celsius. Quando vejo o céu nublado, já fico triste. O sol e seu calor me fortalecem. Imagino que o sol e o vento do Hawaii se comparam mais ao clima de Fortaleza. Isso pesa a meu favor. Vai ser uma experiência única. Estarei entre os melhores atletas do mundo. Venha o que vier. Já estou no lucro. Só sei que darei o meu melhor”,  afirma a ironMÃE.

Adriana Aguilar

Adriana Aguilar - jornalista e integrante da equipe do blog VIDA QUE CORRE

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