“Ao correr 81 kms na praia, sob calor de 30 graus, dói tudo”, diz ortopedista

Luciana Zauhy Garms

ultramaratona_LucianaGarms(2)Participar de uma ultramaratona é uma experiência incrível! É um capitulo à parte na história de um corredor! Completei minha segunda ultramaratona em 29 de janeiro passado, quando corri 81 quilômetros (kms) na Ultramaratona Travessia Torres Tramandaí (TTT), no Rio Grande do Sul. A prova podia ser feita em equipes de 8,4 e 2 corredores. No entanto, optei pela categoria solo.

Correr os 81 quilômetros na praia, com terreno plano, sob o calor de 30 graus, alternando areia batida e areia fofa, foi uma superação em todos os sentidos. Completei o percurso em 12 horas e 24 minutos. Uma prova em que a mente realmente tem de dominar o corpo! Predominou a minha resistência física e, sem dúvida, o meu controle emocional! Porque o corpo dói… dói tudo!!

O preparo para a ultramaratona é tão sofrido ou até mais do que o desgaste no dia da prova! São treinos muito longos, de 25 kms, 35 kms e 50kms. É necessário abdicar de fins de semana, seguir uma alimentação cuidadosa e descansar. Somado a isso, há a rotina da casa e do trabalho no hospital e consultório. Sou médica ortopedista.

Uma ultramaratona por ano já exige muito da gente! Imagine fazer duas ultramaratonas no intervalo de 3 meses? Cheguei ao meu limite de treinamento, no final, já bastante cansada dessa rotina de exigências.

Acabei fazendo duas ultramaratonas no intervalo de 3 meses.  A primeira delas ocorreu em novembro de 2015, quando percorri 50 quilômetros na montanha, em 10 horas e 30 minutos, durante o Circuito Indomit na Costa Esmeralda, em Santa Catarina. Foram 8 meses meses de treino,  de abril a novembro de 2015! Com a Ultramaratona Travessia Torres Tramandaí,  o treinamento continuou até o final de janeiro de 2016, incluindo algumas maratonas no meio do caminho.

O grau de esforço do corpo e da mente muda bastante na passagem do trajeto de 50 kms (primeira ultramaratona) para o percurso de 81 kms na segunda ultramaratona. Além da distância maior, passei da montanha (primeira ultramaratona) para a praia (segunda ultramaratona). São estilos completamente diferentes!

Gosto das provas em montanhas, nas quais há mais exigência de força física, com subidas íngremes e descidas técnicas e difíceis!  Ainda assim, confiei nas palavras do técnico professor,  Emerson Bisan, ao dizer que esse estilo de prova (na planície da praia) seria  importante para me preparar para as ultras de montanha.  “Vai dar a você muita experiência”!  Ele estava certo. Hoje, sou outra atleta e vejo as ultramaratonas de outra forma!

Já havia participado de cerca de 30 meia-maratonas, incluindo as provas no asfalto e na montanha e de 6 maratonas em montanhas. Após as experiências recentes em duas ultramaratonas, aos 38 anos,  posso dizer que sou apaixonada pelas ultras e pelo desafio da distância, da superação física e mental!

 

 

 

Luciana Zauhy Garms

Luciana Zauhy Garms - médica ortopedista, especializada em Traumatologia Esportiva e Medicina Esportiva. Mais informações: http://www.lumedicinaesportiva.com.br

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