Como entrar na “vibe” da corrida?

Adriana Aguilar

No começo deste ano, três pessoas me perguntaram  o que fazer para entrar na “vibe” da corrida? Ouvi mesmo a palavra “vibe” –  versão reduzida de “vibration” (vibração).  Não sou educadora física. Também não sou profissional em corrida.  Decidi mencionar um pouquinho do que eu aprendi em 12 anos correndo e, assim, responder a pergunta. Para facilitar, listei 7 itens que considero importantes para alcançar a “vibe” da corrida.

1)Grupo de corrida é um primeiro passo  

Não comecei a correr por indicação médica, por ser fumante, por necessidade de perder peso,  por estar em alguma fase crítica: depressão, ansiedade , trauma  etc.  Meu estímulo veio da reunião de um grupo de amigos do trabalho em 2004.

3) Foto antes da chegada à barracaLembro-me do “Flash”, triatleta, natural de Santos (não podia ser outra cidade!) procurando quem corria pelas baias da redação do jornal. Parou na minha frente. Avisei que não corria. Só praticava natação. “Então, vai correr com a gente”, disse o Flash. Ele queria montar um grupo de 10 pessoas para participar da corrida de revezamento, em 2004, na cidade universitária da Universidade de São Paulo (USP). Fomos uniformizados de NIKE TEAM.  Camiseta, short, meia, tênis, bandana, tudo igual.

Hoje, estou no meu terceiro grupo de corrida, a RS Assessoria Esportiva.  No grupo, é possível discutir assuntos de corrida com pessoas que têm o mesmo objetivo. Além disso, o treinador do grupo deve ajudar você  a correr com mais eficiência, evitando lesões e desgastes físicos desnecessários.  É uma forma de ultrapassar o caminho das pedras mais rápido. Descobrir tudo sozinho é demorado.

2)Insistir em ganhar mais fôlego

Em 2004, até entrar no grupo do Flash, não tinha fôlego nem para um quilômetro.  Comecei a correr por conta no parque  Celso Daniel, em Santo André.  Corria 200 metros até uma árvore (minha marcação) – que ainda está no parque – e, depois, caminhava até a árvore novamente.  Repeti isso vários dias. Também não faltava aos treinos do grupo no Parque Ibirapuera, nas tarde de sábado. Afinal, tinha a prova de revezamento lá na frente.

3)Não tente explicar o inexplicável

Na minha família, ninguém corre e também nunca entendeu o gosto pela corrida. Como esperar que alguém compreenda que saio às 5 horas da manhã de casa, no domingo, na escuridão e no frio, para uma prova com largada às 7 horas da manhã?  Enquanto estou tirando o carro da garagem, às 5 horas, de short, tênis e camiseta de corrida, meu vizinho está estacionando o carro, voltando da balada. Ele me olha como algo incompreensível!  Com certeza, provas de rua, cedinho, aos domingos, deve ser motivo de brigas e de separação de muita gente.

4)Alternar ambientes é um grande incentivo.

Além do estímulo do grupo de corrida com amigos, outro incentivo para as corridas é o ambiente. Ninguém aguenta correr o mesmo percurso por muito tempo. É preciso variar o trajeto. Não à toa, a esteira da academia causa repulsa em muitos corredores de rua.

Já participei de dezenas de corridas de ruas de São Paulo e da região do ABC ao longo desses anos.  Confesso que fiquei de “saco cheio” de todas as provas em determinado momento. Não aguentava mais.  Então, passei a correr somente em parques e na praia aos finais de semana. Visitava os parques, sempre cedinho, por volta das 8 horas da manhã.  Veio, então,  a monotonia  de correr sozinha nos parques, ainda que em diferentes lugares.  A gente cumprimenta sempre as mesmas pessoas enquanto corre, sem conversar com elas.

Não somos máquinas para ficar repetindo a mesma ação por vários anos. O desafio é buscar alternativas para manter a corrida.

Foi quando decidi, em 2011, alternar natação, corrida e bicicleta (por enquanto, indoor na academia). Pelo menos, está levando mais tempo para enjoar. Nessa fase, há cinco anos, misturo corridas no parque com provas de rua. Tem dado certo.

5)Quando passamos a gostar da corrida?

Quantas vezes ouvi gente falando que leva seis meses ou um ano para nos acostumarmos com a corrida. Estou esperando isso até hoje!  No meu caso, a vontade de desistir está presente em quase todos os inícios de prova.  Os primeiros 15 a 20 minutos  são muito sofridos. Sempre penso: “para que isso?”.  Começo a gostar da corrida depois desse intervalo, quando meu corpo já está adaptado ao ritmo.

Há pessoas que precisam fazer inscrição para uma prova de 10 quilômetros ou uma maratona, só para terem uma meta e serem obrigadas a treinar.

No meu caso, o prazo me pressiona. Incomoda mais do que ajuda.  Isso é muito pessoal.  Não funciono com objetivos de curto, a médio e longo prazo para treinar corrida. Pratico corrida dois dias – no meio da semana e no final de semana –  e me esforço para esses treinos, haja prova à vista ou não.

 6)Antes da “Vibe” vem o treino

A animação é crescente  quando a gente começa a observar o resultado positivo do esforço.  A corrida faz perder peso SIM, aumenta a disposição, tem reflexos na saúde de todo organismo. Todos que correm, depois de um determinado período, sentem tudo isso. Mas, para chegar ao estágio dos benefícios, tem de treinar… sem desculpa de dia frio, chuva, cólica, trabalho inadiável, roupa que não secou, dormiu tarde, indisposição etc. Sempre há tempo para as prioridades. E o treino tem de ser “encarado” como prioridade para sua saúde mental e física. Ponto final!

7)Momento da “vibe”

Para ser mais prática e finalizar,  gosto mesmo do efeito final da corrida, depois de passar pelo estado de transe, na velocidade mais rápida, quando não vejo nada à minha frente. Depois da chegada, meu raciocínio fica mais claro e rápido.  Além de mais disposição para o dia,  o mundo pode desabar que o lado racional prevalece sobre o lado emocional. A gente tira de letra tudo  o que aparece pela frente e ainda dá risada de todas as situações! Acredite: a gente consegue rir de tudo!  Essa é a “vibe” da minha corrida. Tudo fica melhor quando estou nessa “vibe” acompanhada de colegas. Aí, o cenário é perfeito!

Adriana Aguilar

Adriana Aguilar - jornalista e integrante da equipe do blog VIDA QUE CORRE

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