Cafezinho aumenta o rendimento das atividades físicas

Célia Bittencourt

A cafeína – estimulante mais consumido no mundo –  ajuda o atleta no rendimento das atividades físicas.  Além de presente no cafezinho, esse poderoso estimulante também é encontrado no cacau, chocolate, chá preto ou verde ou mate, sementes de guaraná, refrigerantes (espécies do gênero cola), em bebidas cafeinadas e ainda em suplementos em cápsula.

Nos exercícios de média e longa duração,  a cafeína aumenta a capacidade para o trabalho corporal ou mental, especialmente pela eliminação de sintomas de fadiga (efeito ergogênico). Por isso, após tomar um cafezinho, você vai sentir melhora na contração muscular em função do maior sistema de obtenção de energia e a fadiga só aparece mais tarde.

Somado ao melhor desempenho atlético, a cafeína eleva o vigor mental, provavelmente, pela alteração da percepção subjetiva de esforço. E ainda aumenta a mobilização de gorduras do tecido adiposo e músculos, entre outros benefícios.

É importante ressaltar que, nos exercícios de alta intensidade e curta duração (exercícios anaeróbicos), existem poucos estudos sobre os efeitos da cafeína no desempenho corporal. A interferência da cafeína nos resultados dos exercícios de curta duração ainda é controversa.

Outro assunto que ainda carece de mais pesquisa e investigação é  o suposto efeito diurético da cafeína, ou seja, maior vontade de urinar e perda hídrica durante o esforço físico. Essa hipótese ainda não está confirmada.

O fato é que se quiser sentir todos os benefícios da cafeína nos exercícios de média e longa duração, é necessário tomar o cafezinho, pelo menos uma meia hora antes do treino. Isso porque a cafeína apresenta alta concentração na corrente sanguínea dentro de 15 a 45 minutos e pico de concentração em 60 minutos.

Apenas com uma baixa dosagem da cafeína (2miligramas por quilo ao dia), a pessoa já fica mais “acordada”, sente alívio da fadiga,  maior frequência respiratória e cardíaca e metabolismo acelerado.

As dosagens da cafeína e seus efeitos no organismo variam conforme a pessoa. No geral, a suplementação com cafeína melhora em torno de 75% o desempenho do atleta quando a prescrição é de 3 a 6 miligramas por quilo do peso corporal dele por cerca de 1 hora antes da competição, treinamento ou prova, sobretudo em provas de média e longa duração (exercícios aeróbicos), tanto em atletas amadores quanto em atletas de elite.

Também existem os efeitos ruins da cafeína, quando  consumida  em altas doses  (10 a 15 miligramas por quilo do peso corporal do atleta). Quando em níveis tóxicos, a cafeína provoca efeitos colaterais como ansiedade, insônia, irritabilidade, palpitações cardíacas, nervosismo, elevação da pressão arterial, desconforto gastrintestinal, agravamento de gastrite e úlcera, etc. O consumo de altas doses de cafeína em atletas pode, em ambientes quentes e úmidos, até leva-lo à hipertermia (elevação da temperatura corporal), com sérias consequências à saúde.

Saiba que, quando detectado a presença da cafeína na urina do atleta, na proporção superior a 12 miligramas por mililitro, o Comitê Olímpico Internacional (COI)  considera como caso positivo de doping.  Antes do consumo, procure um profissional nutricionista especializado na área esportiva, para fazer uma avaliação do custo e benefício da cafeína na sua rotina de atividades físicas.

 

Célia Bittencourt

Nutricionista e educadora física. Também é atleta corredora amadora. Colaboradora do blog VIDA QUE CORRE

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